Bravuno
BRAVUNO
Business digest · Brasil
Análise

Crédito para pequena empresa fica 12% mais caro no semestre

Spread bancário sobe com inadimplência.

Por Otávio Fontes · 6 de julho de 2026 · 7 min de leitura

O custo médio do capital de giro para micro e pequenas empresas subiu 12% entre janeiro e junho de 2026, segundo levantamento com seis bancos.

A taxa média ao ano passou de 28,4% para 31,8%. Em alguns produtos, como cartão corporativo, a alta chegou a 18 pontos percentuais.

A explicação dos bancos é dupla: Selic ainda elevada e inadimplência de PJ em 5,8%, a maior da série pós-pandemia.

Otávio Fontes cruzou dados do Banco Central com o Serasa. O padrão de inadimplência concentra-se em empresas de serviços, com até dois anos de operação.

O efeito prático é a chamada 'trava no caixa'. Empresas que sobreviveram à pandemia agora arquivam planos de expansão por falta de crédito acessível.

Alternativas crescem: fintechs de recebíveis, crédito cooperativo e fundos de private debt ganham espaço, mas ainda cobrem menos de 8% do mercado.

Para o empresário que precisa de capital, três caminhos sugeridos por consultores ouvidos: antecipação de recebíveis (mais barata), cooperativa de crédito e BNDES para investimento.

O conselho repetido: não financiá capital de giro com cartão corporativo, por mais rápido que seja.

Otávio Fontes — repórter de finanças corporativas. Ex-analista de crédito.