Black Friday deveria ser em maio, dizem varejistas após quarto ano de baixa
Concentração em novembro perde força.
Pelo quarto ano seguido, a Black Friday brasileira perdeu participação no faturamento anual do varejo. Em 2025, respondeu por 6,2% — contra 9,1% em 2021.
A explicação dos varejistas ouvidos pela Bravuno é simples: descontos espalhados ao longo do ano diluíram a data.
Dia das Mães (maio) e Dia dos Pais (agosto) já geram picos de venda maiores que a Black Friday em categorias como eletro e moda.
Mariana Tavares ouviu sete redes de e-commerce. Cinco planejam reduzir investimento publicitário em novembro e reforçar maio.
O consumidor aprendeu a esperar. Pesquisa de instituto de mercado mostra que 64% dos compradores só adquirem em Black Friday o que já iam comprar — não ampliam cesta.
Para o varejista de pequeno porte, a data virou custo fixo: precisa participar para não perder relevância, mas a margem encolhe.
Há quem aposte no contrário. Magazine e duas redes regionais vão ampliar campanha em novembro este ano, na tese de que a concorrência vai recuar.
A lição do semestre: calendário comercial não é mais ditado por data única. A Black Friday virou uma entre várias.